Em um movimento ousado inspirado no sucesso global dos doramas e k-dramas, a Globo vai lançar um novo formato de novelas curtas, com cerca de 60 capítulos e duração de até meia hora por episódio. Com produção mais enxuta e tramas focadas em poucos personagens, a iniciativa marca uma tentativa de modernizar a dramaturgia da emissora, mirando tanto o público do streaming quanto da TV aberta.
O projeto, apelidado internamente de "doramas brasileiros", terá sua estreia com uma história romântica escrita por Walcyr Carrasco, autor veterano da casa. A ideia é conquistar tanto o público da TV aberta quanto do streaming.
A estreia está programada para a faixa das 17h30, horário que já foi ocupado por "Malhação" (1995-2020) e hoje abriga o "Vale a Pena Ver de Novo". A proposta é que as novelas curtas antecedam a novela das seis, criando um "corredor de tramas" para aquecer o público no final da tarde.
As histórias serão exibidas primeiro no Globoplay e, depois, na TV Globo. A ideia é aproveitar o melhor dos dois mundos: o consumo ágil do streaming e a tradição da TV aberta.
Apesar da nova aposta, a Globo não pretende abandonar as novelas tradicionais. Segundo Amauri Soares, diretor executivo dos Estúdios Globo, os folhetins de 170 capítulos continuam firmes nos horários das seis, sete e nove da noite.
"Na televisão aberta, a gente não vê nenhum indicativo, nenhum indício de que o formato tradicional, de 170 e tantos capítulos, esteja desgastado. Pelo contrário, a gente vê o engajamento crescente, a formação de fan base. Então é uma questão de entender qual o melhor formato desse gênero, que é tão brasileiro e todo mundo quer fazer, para diferentes plataformas", afirmou Soares em coletiva recente.
Ou seja, o novo modelo não vem para substituir, mas para ampliar as opções de quem ama uma boa história.
A estreia do formato curto ficará nas mãos de Walcyr Carrasco, autor de sucessos como "Amor à Vida" (2013) e "Terra e Paixão" (2023). Aos 73 anos, mesmo lidando com problemas de mobilidade, Carrasco continua cheio de projetos. Além do "dorama", ele também está escrevendo "Êta Mundo Melhor!", continuação de "Êta Mundo Bom" (2016), para o horário das seis.
Recentemente, no programa "Conversa com Bial", Walcyr Carrasco revelou que já trabalha na sinopse de uma nova novela das nove, prevista para estrear em 2026.
Com menos capítulos e produções mais ágeis, o novo modelo vai abrir espaço para que a Globo teste novos talentos. Assim como "Malhação" revelou gerações de atores, os doramas brasileiros devem servir como laboratório para jovens artistas e escritores que ainda não estão prontos para enfrentar novelas gigantes.
Além disso, as produções mais curtas significam custos menores — mas sem perder a qualidade. A emissora aposta que histórias rápidas e apaixonantes podem conquistar o público e gerar novas "febres" de audiência.
A inspiração nos doramas e k-dramas está na estrutura enxuta e no foco emocional. No Japão, os doramas costumam ter de 10 a 12 episódios, enquanto os k-dramas coreanos variam de 12 a 24 capítulos. No caso da Globo, o formato será diário, mas com a alma dos dramas asiáticos: tramas envolventes, poucos personagens e muito romance.
Se a primeira novela curta vingar, prepare-se: os doramas brasileiros podem virar uma nova febre nacional.